
No final no passado me presentei com a família mais desbocada dos desenhos animados, os Griffin. Comprei oito temporadas desses animais impiedosos em um pacote extremamente tentador naquela loja virtual com nome de embarcação submersa.
Seis meses depois, eis que consegui finalmente terminar de assistir a todos os DVDs e tenho que dizer que a viagem valeu a pena. Você deve estar se perguntando: mas não é só mais um desenho da FOX? Não, não é. Diferentemente dos Simpsons - que é um show que não tem mais graça, como Family Guy faz questão de ressaltar - o seriado foca naquilo que você tem vontade de fazer ou supostamente dizer ao mundo, mas não pode.
Se você é politicamente correto, essa experiência não é para você, compreende? Estou falando com você, seu censura, vá catar coquinho e procurar o que fazer.
Aliás, Family Guy me coloca em conflito com o meu eu interior e sabe muito bem mexer na linha tênue entre certo e errado. Quem aí quer abrir um bar com nome de molusco? Você sabia que a morte trabalhou em Garganta Profunda?
Anyway, let’s get going. As únicas temporadas dubladas em português - não reclamem, viúvas - são a primeira e a segunda. Fiz questão de curtir enquanto pude a versão nacional, apesar de perder toda a particularidade - pra não dizer a graça - do humor americano. Talvez seja por isso que a FOX decidiu não continuar com esse tipo de trabalho, ou para economizar uns trocados a mais - a segunda opção faz mais sentido. Safados e legais ao mesmo tempo, como não gostar?
Com 29 episódios sarcásticos e altamente preconceituosos, essas temporadas ficaram marcadas por cenas como essas: Breast Feeding e Chicken Fight. Isso sem contar as adaptações pontuais (em português) para fins de localização de roteiro.
A terceira temporada, já sem dublagem tupiniquim, traz 21 episódios pervertidos e ofensivos. Só houve um problema aí: esqueceram de convidar a Dona Graça - motivo que obrigou a FOX a cancelar Family Guy. Com toda razão, diga-se de passagem. Quer Seth MacFarlane, desenhista, escritor, animador, diretor, dublador e uma porção de outras coisas mais diga que não, mas é a pura verdade.
Não tenho do que reclamar do que ocorre da quarta à oitava temporada. Revitalizados de uma queda, o desenho voltou ao estilo clássico, exagerado e sem quase nenhuma censura dos primeiros episódios da série. Como não se apaixonar por um exame de próstata bem humorado? Ou com uma esposa doida por sexo? Até mesmo Jesus Cristo entrou na dança.
É algo que vai te deixar maluco. E novamente: VÁ SE FERRAR, seu censura. Sou adulto, pago minhas contas e vejo o que me dá na telha.